Quando um ataque de ransomware é descoberto, a sensação de urgência toma conta da organização. No minuto zero de um ransomware, sistemas deixam de funcionar, operações são interrompidas e, muitas vezes, a mensagem de resgate aparece nas telas.
Esse cenário está longe de ser raro. Segundo um levantamento publicado pelo CISO Advisor, os incidentes mais graves de ransomware podem durar, em média, 25 dias e gerar prejuízos de aproximadamente US$ 5,3 milhões entre interrupção das operações, recuperação dos sistemas e impactos ao negócio.
Além disso, a IBM Security destaca que uma resposta rápida e estruturada é um dos principais fatores para reduzir o tempo de recuperação, preservar evidências e limitar os impactos financeiros e operacionais do incidente.
Por isso, o maior risco nem sempre é o malware em si, mas as decisões tomadas sob pressão. Agir sem coordenação, desligar sistemas de forma precipitada ou comunicar informações sem confirmação pode comprometer a investigação, aumentar o tempo de indisponibilidade e dificultar a recuperação do ambiente.
É justamente nesse contexto que o minuto zero de um ransomware se torna decisivo. As primeiras horas exigem liderança, governança e um plano de resposta bem definido para que a organização consiga conter o incidente e reduzir seus impactos.

O que significa o minuto zero de um ransomware?
O minuto zero não representa necessariamente o início do ataque. Em muitos casos, quando o ransomware é identificado, o invasor já percorreu diferentes etapas da intrusão, comprometendo sistemas e ampliando seu acesso ao ambiente. É nesse momento que a organização precisa interromper a progressão do incidente e iniciar uma resposta estruturada.
A partir desse instante, fatores críticos passam a depender da qualidade da resposta:
- Tempo de indisponibilidade dos sistemas;
- Continuidade das operações de negócio;
- Preservação das evidências para investigação forense;
- Custos de recuperação do ambiente;
- Impactos financeiros e reputacionais.
Segundo o IBM Cost of a Data Breach Report 2024, o custo médio global de uma violação de dados chegou a US$ 4,88 milhões em 2024, reforçando como uma resposta rápida e bem coordenada pode reduzir impactos operacionais e financeiros. Já o CERT.br – Ransomware: como responder destaca que seguir um plano de resposta previamente definido é essencial para preservar evidências, coordenar a comunicação e apoiar a recuperação do ambiente.
A primeira prioridade: estabelecer governança.
Nos primeiros minutos, a tendência natural é querer agir imediatamente. O primeiro passo deve ser estabelecer controle sobre a crise.
Isso significa:
- Acionar o plano de resposta a incidentes;
- Convocar o comitê responsável pela gestão da crise;
- Definir responsáveis por cada frente de atuação;
- Registrar todas as decisões tomadas;
- Centralizar a coordenação das ações.
Durante um ataque de ransomware, organização é tão importante quanto velocidade.
Sem uma estrutura clara de governança, diferentes equipes podem executar ações conflitantes, dificultando tanto a contenção quanto a investigação posterior.
Antes de conter, entenda a extensão do ataque.
É comum que empresas tentem resolver rapidamente o problema sem compreender sua extensão.
No entanto, uma resposta eficiente depende de um diagnóstico inicial.
Algumas perguntas precisam ser respondidas o quanto antes:
- Quais sistemas foram comprometidos?
- O ataque ainda está em andamento?
- Existem indícios de movimentação lateral?
- Há risco para clientes, parceiros ou fornecedores?
- Existem evidências de exfiltração de dados?
Essas informações orientam as próximas decisões e ajudam a definir prioridades durante a resposta ao ransomware.
O que não fazer durante um ataque de ransomware
Em momentos de crise, algumas decisões tomadas sob pressão podem ampliar significativamente os impactos do incidente. Por isso, além de saber como responder, é fundamental conhecer as ações que devem ser evitadas.
Desligar servidores sem avaliação técnica.
Embora pareça uma reação imediata para interromper o ataque, desligar servidores indiscriminadamente pode comprometer evidências voláteis importantes para a investigação forense e dificultar a compreensão do comportamento do invasor. Antes de qualquer ação, é essencial avaliar o cenário e seguir o plano de resposta a incidentes.
Apagar arquivos ou formatar equipamentos antes da investigação.
Remover arquivos, restaurar sistemas ou formatar equipamentos antes da análise técnica pode eliminar rastros importantes do ataque. Essas evidências são fundamentais para identificar como o invasor obteve acesso, quais sistemas foram comprometidos, qual foi a extensão do incidente e quais medidas serão necessárias para evitar novas ocorrências.
Permitir que equipes atuem sem coordenação.
Ações paralelas executadas por diferentes equipes, sem uma coordenação centralizada, podem gerar conflitos operacionais, duplicidade de esforços e dificultar a contenção da ameaça. Em um incidente de ransomware, a governança da resposta é tão importante quanto as ações técnicas.
Comunicar informações não confirmadas.
Durante a crise, é natural que colaboradores, clientes e parceiros busquem respostas rápidas. No entanto, divulgar informações sem validação pode gerar desinformação, aumentar o impacto reputacional e criar riscos regulatórios, especialmente quando há possibilidade de exposição de dados pessoais e obrigações relacionadas à LGPD.
Além de dificultarem a análise forense, essas ações podem comprometer a investigação, prolongar o tempo de recuperação e aumentar os impactos operacionais e financeiros do incidente.
Para entender como um minuto zero de um ataque de ransomware evolui dentro de um ambiente corporativo e conhecer os principais vetores utilizados pelos criminosos, confira o guia completo preparado pela NovaRed.
Comunicação também faz parte da resposta.
A gestão da comunicação é um dos pilares da resposta a incidentes.
Durante o incidente, áreas como diretoria, segurança, TI, jurídico, comunicação e gestão de riscos precisam trabalhar de forma integrada.
Cada informação compartilhada deve ser validada antes da divulgação.
Mensagens desencontradas podem gerar insegurança entre colaboradores, clientes, fornecedores e até criar riscos regulatórios.
Uma comunicação estruturada reduz ruídos e contribui para uma gestão de crise mais eficiente.
Por que especialistas fazem diferença na contenção?
Nem todas as organizações possuem equipes dedicadas à resposta a incidentes.
Nesses casos, contar rapidamente com especialistas faz diferença para reduzir os impactos do ataque de ransomware.
Uma equipe especializada pode apoiar atividades como:
- Contenção da ameaça;
- Preservação de evidências;
- Investigação da causa raiz;
- Erradicação do ambiente comprometido;
- Planejamento da recuperação segura.
Quanto menor o tempo entre a identificação e o início da resposta especializada, maiores costumam ser as chances de limitar os danos operacionais e financeiros.
Preparação vale mais do que improviso.
As empresas mais resilientes não são necessariamente aquelas que nunca sofreram um incidente.
São aquelas que investiram previamente em:
- Playbooks de resposta;
- Definição clara de responsabilidades;
- Exercícios de simulação;
- Processos de comunicação;
- Capacitação das equipes.
Essa preparação permite reduzir o tempo de resposta e aumentar a capacidade da organização de enfrentar situações críticas com maior controle.
Quando cada minuto conta, improvisar costuma ser a opção mais cara.
Em síntese,
O minuto zero de um ransomware representa muito mais do que o início de uma resposta técnica. É o momento em que governança, comunicação e tomada de decisão passam a influenciar diretamente os impactos do incidente.
Ter um plano estruturado, compreender rapidamente a dimensão do ataque e contar com especialistas preparados faz toda a diferença para reduzir riscos operacionais, financeiros e reputacionais.
A NovaRed apoia organizações na preparação, contenção e recuperação de incidentes cibernéticos, ajudando empresas a responder de forma coordenada quando cada minuto faz diferença.



